No dia 02 de dezembro de 2020 iniciei a conversa com a Francisnilda. Ela nasceu no dia 29 de setembro de 1991. Ela é mãe solo e encontra-se desempregada. Ela se dispôs a contar para mim, Jessica Matias, um pouco sobre a sua realidade.

Desemprego, Gravidez na adolescência, Maternidade solo

Meu nome é Francisnilda Paiva de Araújo, mas prefiro que me chamem apenas de Fran, tenho vinte e nove anos, me autodeclaro negra, sou mãe solo e tenho quatro filhos, sendo três meninas (10, 8 e 7 anos) e um menino (10 meses). Sou natural de Rio Branco e atualmente moro no bairro Bosque, pelo menos por enquanto, pois não sei até quando irei conseguir pagar o aluguel deste imóvel em que resido.  Possuo o ensino médio completo e no momento encontro-me desempregada. 

Quando começou a pandemia eu trabalhava como auxiliar de limpeza, não recebia um salário alto, mas conseguia manter o sustento básico da minha família. Mas infelizmente no decorrer da quarentena fui dispensada, para piorar não consegui ser beneficiária do auxílio emergencial, pois no período de inscrição ainda me encontrava trabalhando de carteira assinada, e agora estou desempregada e sem auxílio. 

Com o decorrer da quarentena estou me sentindo muito angustiada e preocupada em como vai ser o dia seguinte, como vou conseguir alimentar os meus filhos; cheguei a receber por duas vezes cesta básica da escola em que as minhas filhas estudam, mas esses alimentos não duram para sempre. É vergonhoso, mas tem dias que não tem nada para eles se alimentarem, e é horrível a sensação de impotência de não conseguir suprir as necessidades dos meus filhos. O pai deles não é presente e não se importa se as crianças estão passando por necessidades, paga uma mixaria de duzentos reais de pensão e ponto final. É cansativo ter que lutar sozinha para criar as crianças, mas eu não desisto. 

A maternidade não foi planejada por mim, simplesmente aconteceu e eu fui aceitando e, após ser mãe, tornei-me uma jovem mais responsável, busquei sempre trabalhar para dar aos meus filhos o que eu não tive na minha infância, talvez ainda não tenha conseguido dar tudo o que eles merecem, mas eu me esforço bastante e sei que um dia irei conseguir. Sou uma mãe bem carinhosa e dedicada, e recebo de volta todo o carinho; minhas filhas são bem amorosas e sempre estão alegres e dispostas a me ajudar nos serviços domésticos. Com o isolamento social as meninas passam mais tempo assistindo televisão e brincando de boneca, e as vezes, quando o neném tá dormindo, eu brinco de boneca com elas. À noite, após o neném dormir, sento com elas para ajudar nas atividades da escola. Não digo que toda noite isso acontece devido a ter dias que eu consigo alguma faxina e chego em casa muito cansada, mas sempre que possível estou ajudando as meninas nas tarefas e enviando para as professoras. 

Admiro as pessoas que possuem uma rede de apoio com quem podem contar quando precisam trabalhar. Eu não tenho ninguém para me ajudar com as crianças e sempre tenho que pegar o pouco do que ganho para pagar alguém para cuidar delas. É um dinheiro que faz bastante falta no sustento da casa, mas é o único método disponível para conseguir uma renda, melhor pouco do que não ter absolutamente nada. Nenhuma mãe gosta de ver os seus filhos pedindo uma refeição e não ter de onde tirar. Então eu faço o que posso para suprir as necessidades básicas de cada um: sempre estou atenta nos anúncios de emprego, procuro faxina por todos os lados, não me permito ficar de braços cruzados vendo os meus filhos passarem por necessidades, isso é coisa de mãe mesmo. 

Este ano foi de muitas dificuldades, não vejo a hora de tudo voltar ao normal, quero poder levar meus filhos para passear com segurança sem ter que ficar me preocupando com o uso correto das máscaras, pois é complicado fazer as crianças seguirem todas as medidas de prevenção. Elas não fazem ideia da gravidade da situação que estamos vivenciando, tenho medo delas contraírem a Covid-19, ou até mesmo eu contrair e não resistir, morro de medo de deixar os meus filhos órfãos, gosto nem de imaginar. 

Espero futuramente me encontrar em uma situação financeira melhor da em que me encontro atualmente. Quando tudo isso passar acredito eu que as oportunidades de empregos serão maiores e melhores, pois o meu plano após essa pandemia é conseguir um emprego efetivo para melhorar a qualidade de vida da minha família, é nisso que me apego, e as outras mães devem acreditar que essa fase ruim vai acabar logo e que irá dar tudo certo para todas nós, Deus está no controle.

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