Eu, Robenylson de Oliveira, entrevistei Thaís de Souza Batista no dia 11 de dezembro de 2020 pelo WhatsApp. Ela tem 26 anos. É natural do município de Feijó, no Acre, mas reside na capital, Rio Branco, mais precisamente no bairro Eldorado. Tem dois filhos pequenos, é casada, trabalha como servente, se autodeclara parda e cursa enfermagem na Uninorte, no período noturno. Mesmo preferindo não responder as perguntas por áudio, me concedeu por escrito a entrevista, contando suas experiências maternas durante esse período tão confuso de pandemia.

Covid-19. Gravidez não planejada. Maternidade.  

Thaís inicia sua fala contando sobre a sua experiência com a maternidade, se houve planejamento antes das suas gravidezes:

“Meu primeiro filho eu estava a três anos sem tomar anticoncepcional e foi uma surpresa muito boa. Quando Abraão nasceu depois de 8 meses eu engravidei de novo. Eles são minha razão de viver. O Abraão tem 3 anos e o Vitor tem 2 anos”.

Resolvi lembrá-la sobre a possibilidade de conversarmos por áudio, e a entrevistada respondeu que não gosta de enviar áudio. Seguimos a entrevista: eu enviando áudio e ela escrevendo.

Há divisão no trabalho doméstico entre os membros da casa?

“Eu e meu marido dividimos todo o trabalho. Ele me ajuda muito tanto em casa quanto cuidando dos meninos”.

Pergunto se havia alguém em sua casa que precisasse de cuidados específicos, e ela respondeu que não.

Quando perguntada sobre a sua reação quando soube que o mundo estava passando por uma pandemia, respondeu:

“Nossa! No começo da pandemia fiquei com muito medo a ponto de não querer mais assistir televisão. Medo de pegar a Covid-19 e morrer ou de alguém da minha família morrer”.

Sobre as expectativas dela a respeito da pandemia: ela imaginava que a pandemia nos tomaria quase um ano?

“Nunca, eu pensei que duraria uns dois meses no máximo”.

Algum plano foi deixado para trás por conta do isolamento social?

“Pelo contrário, na pandemia eu consegui várias coisas. Se abriu [sic] muitas portas”.

Comentei que ela teve sorte, porque muitas pessoas tinham reclamado. Ela respondeu:

“Eu acho que estar bem e estar até aqui sem ter pego a Covid-19, já é uma vitória.”

Quais foram as mudanças promovidas pelo coronavírus no funcionamento/logística da casa?

“Nos primeiros meses eu não saí de casa, era só meu esposo, ele que ia no mercado. Ele continuou o trabalho normalmente. Então, o nosso maior cuidado era quando ele chegava. Quando ele chegava já ia ‘pro’ banho e separava a roupa. Eu limpava todos os mantimentos.

Mas, na verdade, com o tempo fomos abandonando essa rotina. Eu voltei a trabalhar também. E agora estamos quase numa vida normal”.

O que ela fazia, juntamente com os outros membros da casa, para se entreter?

“Eu moro no quintal da minha mãe”.

“Os meninos ficaram super entediados. A casa ficou toda pintada de pincel. Eu tentava desenhar com eles; brincar de massinha; a creche também deu suporte com material escolar e tarefas, porque durante toda a pandemia eles só ficaram em casa”.

Como está a situação das crianças em relação aos estudos: como está sendo essa experiência?

“Amigo, eu quase não faço as atividades da creche. Eu trabalho pela manhã e, quando chego, cuido dos meninos e a noite eu estudo e acabo esquecendo”.

Houve alguma mudança nos vínculos empregatícios dos adultos?

“Nós continuamos no nosso emprego”.

Perguntei se alguém da família pegou a Covid-19, e ela respondeu:

“Eu perdi meu avô para Covid-19. Ele morava em Feijó e foi transferido pra Cruzeiro e lá morreu. Graças a Deus, aqui ninguém pegou”.

“Minha mãe ficou com sintomas, mas não fez o exame. Logo ficou boa”.

Alguém da família teve bebê ou ficou grávida durante a pandemia?

“Eu tenho uma prima que teve neném há dois meses, mas foi super tranquila a gestação”.

Pergunto quais são os planos da entrevistada para o futuro, depois que a pandemia cessar. Ela responde:

“Meu plano é continuar viva [emoji sorrindo]. Quero ficar bem com minha família. Que passe tudo isso e eu possa andar com meus filhos sem ter medo de pegar Covid“.

O que você espera de mudanças nas pessoas, quando tudo passar?

“Acho que saíram com força ‘pra’ lutar e recomeçar, porque querendo ou não alguém acabou perdendo alguma coisa ou alguém. Acho que não vai ser fácil também”.

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *