Eu, Natan de Lima França, realizei no dia 11 de dezembro de 2020 a coleta do relato de Maria de Fátima Teixeira da Silva. Negra, analfabeta e nascida em Tarauacá, é casada e moradora do bairro periférico Calafate. Possui seis filhos e sua profissão é cuidadora do lar. Segundo Maria de Fátima, a pandemia mudou completamente seu modo de vida. Em suas palavras:

Maternidade. Pandemia. Quarentena. Netos. 

“Na pandemia mudou muita coisa. Mudou tudo, ninguém pode sair de casa, ninguém pode andar por aí sem máscara. É tudo de ruim”.

Maria de Fátima relata que a maternidade sempre foi tranquila para ela. Sua relação com seus filhos é boa, toda vida quis ter filhos. Relatou que todos eles não estudam mais e a preocupação com o colégio nunca surgiu. A única preocupação até então foi a de sair eventualmente de casa. Quando todos saem levam suas máscaras, e ao retornar para casa, higienizam-se com álcool e banho. Por conta do medo pelo novo coronavírus, disse que fez uso de vitaminas e chás para fortalecer o sistema imunológico.

A mãe relatou que juntamente com sua família ficou quatro meses sem sair de casa. Adotou a quarentena e o distanciamento social, ficando isolada e sem contato com outros. Se sentia péssima com a situação, seus filhos também. Muitos destes inclusive desenvolveram quadros depressivos. “Eu me sentia muito, muito mal. Meus meninos também. Tem deles que ficaram deprimido por causa de não sair e nem falar com ninguém”, disse.

Felizmente, nenhum de seus filhos contaminou-se com o novo coronavírus. O único familiar que chegou a ficar doente foi sua irmã, que mora em Goiânia, ficando hospitalizada e encontrando-se bem no momento. Quando questionada sobre suas perspectivas para o futuro, a entrevistada diz que pretende voltar a trabalhar e deseja ver seus netos estudando.

 

“Quero um futuro brilhante para eles [netos]. Quero ver as pessoas que estão distantes, abraçar elas. A quarentena pegou todos de surpresa, muitos trabalhadores ficaram desempregados. A quarentena mexeu com a crise, com a saúde mental das pessoas. Muitos trabalhadores morreram, muitas famílias perderam entes queridos. É o que essa pandemia causou”.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *