Eu, Keyth Melo, iniciei essa entrevista com Maria Antonieta em um fim de tarde do dia 04 de novembro. Maria nasceu em 20 de junho de 1989, em Xapuri, no Acre. Possui nível médio completo, é técnica em saúde bucal, divorciada e tem 1 filho. Considera-se branca e é moradora do loteamento praia do Amapá.

Maternidade Solo. Gravidez não planejada. Contraiu a Covid-19.

Maria inicia a conversa fazendo um resumo sobre a maternidade antes da pandemia: 

A relação com meu filho sempre foi uma relação de aproveitar os momentos que estamos juntos, porque desde pequeno, desde dos quatro meses de idade, eu já tive que voltar a trabalhar, então eu aproveitava e aproveito sempre os finais de semana para fazer alguma coisa diferente com elechegar em casa do jeito que eu chegava e já saía correndo para abraçar, para beijar, dar um carinho pegar no colo… 

Apesar de não ter planejado a gravidez, Maria diz que 

pra mim, sobre  a aceitação da maternidade, nunca tive problema em relação a isso porque, graças a Deus, foi algo que eu quis, não foi planejado, mas foi desejado. Então eu sempre tive meu filho como minha força, minha referência, meu porto seguro, entendeu? De seguir, de buscar, de sempre correr atrás de algo melhor para sempre poder dar o que ele necessita, não tudo o que ele quer, mas o que ele precisava. 

Maria fala de momentos difíceis que passou juntamente com seu filho anos antes da pandemia e que fizeram com que ela tivesse uma visão mais ampla da maternidade: 

Foi quando me separei do pai dele, mas isso só fortaleceu minha relação com meu filho. Na época ele tinha cinco anos, hoje ele tem 8 anos e hoje eu tenho um parceiro, um companheiro para todas as horas e todos os momentos. Como dizia meu pastor Maurilenio, eu tinha perdido um marido, mas eu sempre teria o amor da minha vida do meu lado, que é o meu filho. Quando eu fico triste, eu lembro disso, dessa palavra que ele falou.

Maria alterna seu relato entre momentos pré e pós pandemia e, falando dos dias atuais, explica um pouco como é a rotina da casa nesse momento:

A questão da atividade doméstica, a  divisão não mudou muito aqui em casa. Só “é” eu, meu filho e meu atual esposo, então, em questão de atividades, eu chego em casa, organizo o que tem que organizar tudo, faço as tarefas domésticas. Na verdade é mais eu do que eles. E a questão de  nossa rotina mudou muito, mudou muito mesmo, porque no fim de semana “nós” sai, “nós” ia para pizzaria, “nós” fazia almoço em família, se reunia… hoje, com essa situação, a gente não consegue isso então, foi uma mudança para nós, radical.

Em relação aos cuidados com algum familiar antes da pandemia 

A preocupação com alguém da nossa casa, antes da pandemia, não tinha, “assim”, de saúde, Graças a Deus temos a preocupação normal de evitar certas coisas, mas não de dizer que a gente ter que ter todo o cuidado que a gente “tá” tendo hoje. É algo que a gente “tá” tendo que se adaptar com a pandemia.

Maria me conta como foi sua reação quando soube da pandemia e descreve seus medos ao se contaminar com a Covid-19 e quais decisão tomou para resguardar a saúde de seu filho: 

Quando eu descobri a pandemia eu fiquei, assim, em pânico. Primeiro, eu trabalho em um local que é “focos” do vírus, que tem aglomeração que é laboratório e consultório odontológico. Tem pessoas que vai com Covid, com o vírus, então eu fiquei com muito medo de pegar e de passar para meu filho, porque meu filho teve na infância, quando menorzinho, ele teve crise asmática, então eu fiquei com muito medo por conta dessa doença afetar, principalmente, a questão respiratória “né”, tudo isso… e na minha casa só quem pegou fui eu, mesmo com todos os cuidados, com todas as precauções, infelizmente, eu fui contaminada com a Covid. Quando eu descobri, eu fiquei desesperada, eu fiquei morrendo de medo de passar para o meu filho. Minha tranquilidade foi ele que ele “ta” para colônia com os avós e aí eu fiquei mais tranquila e eu pensei: vou deixar ele lá na colônia com os avós e vou ficar em casa isolada como pede, como é para ser. Só que eu fiquei muito abalada por ser um vírus perigoso, de ser uma doença que tem levado muitas pessoas a óbito e isso me deixou muito abalada, desesperada, porque eu não podia trazer o meu filho para casa e ele não tinha costume de ficar muito tempo longe de mim e nem eu dele e por piorar de uma hora para outra e não ver meu filho nunca mais. O que abalou foi questão psicológica. Eu me recuperei e ele pôde voltar para casa. Meu organismo reagiu bem, não internei, meus sintomas foram leves.

Sobre como é sua visão da Covid-19 atualmente, ela diz: “hoje eu não tenho tanto medo, porque procuro me cuidar mais do que me cuidava. Antes de pegar a gente relaxa um pouco”. E aproveita para fazer um alerta: 

Se cuide o máximo que você puder. Se puder fique em casa, se não puder saia com todos os cuidados; o vírus não é um brinquedo, não é gripezinha, ele mata, se você não se cuidar, você vai pegar e pode ser que você não tenha o mesmo organismo que o meu, que ele desenvolva mais do que ele desenvolveu em mim e, mesmo quando você se recuperar, ele traz algumas consequências, por exemplo se você sofria com dor na coluna antes de pegar Covid-19, esse problema vai se agravar.

Os cuidados mudaram durante a pandemia e ela fala um pouco mais sobre isso:


Com o Arthur, meu filho, né?! Mudou a questão de chegar em casa, não ter aquele contato logo que a gente tinha. Na vó dele a gente tem essa preocupação de se cuidar mais. Digo para ele ficar sempre na parte de trás do que na frente, porque lá é oficina e tem entra e sai de gente toda hora. Sempre peço para ele higienizar as mãos, né, essas coisas. E no consultório, sim, os cuidados aumentaram mais ainda, sempre que um paciente sai e no intervalo de um e outro a gente tem que higienizar a cadeira com álcool 70. Essa questão de esterilizar sempre teve, mas agora a gente sempre tem que estar passando álcool em tudo na cadeira no mocho, quando o paciente sai, na maçaneta do consultório.

Acerca da da ajuda com a educação da criança, Maria destaca a atuação de sua ex-cunhada: 

Escola, tenho ajuda da tia dele, em fazer as atividades, que ela fica mais tempo em casa e ela se disponibilizou em ajudar ele nas tarefas. Aí, as aulas estão sendo on-line e as apostilas.

A rotina diária mudou e ficou mais reduzida:

É de casa o trabalho e do trabalho para casa, vou ainda na casa da minha sogra mas com todo o cuidado por ela ser idosa.

Quanto aos desafios trazidos pela pandemia, Maria diz que:

O maior desafio é ficar em casa e não poder compartilhar os momentos com os amigos, ir para igreja, ter aquele momento de comemoração com os colegas.

E maternidade trouxe de novo, segunda a percepção de Maria:

Quanto à maternidade… você tem que aproveitar os momentos que você tem com seu filho, porque agora é família, é família. É você, seu filho, seu marido e seus familiares mais próximos que você pode ir lá e visitar, levar alguma coisa, algo do tipo, só.

Encerrando essa entrevista, perguntei para Maria o que ela achava o que a pandemia trouxe de aprendizado para e como achava que seria a vida da sua comunidade no pós pandemia. Sobre isso, ela responde:

A pandemia trouxe de aprendizado para todos nós é valorizar os momentos em família. E, mana, eu não tenho ideia de como vai ser, porque a gente não tem noção de quando essa pandemia vai acabar. Então, é viver um dia de cada vez.

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