Eu, Keyth Melo, iniciei a minha conversa com a Francisca Barroso em 09 de novembro. Nascida em 12 de junho de 1980, no município de Brasiléia, no Acre, Francisca, que se autodeclara parda, mora com as duas filhas e o companheiro no bairro Cadeia Velha. Possui nível médio completo e atualmente está desempregada.

Desemprego. Quarentena. Maternidade. Covid-19. 

Francisca considera, apesar das mazelas da pandemia, ser fácil exercer a maternidade nesse momento. Durante a pandemia ela se aproximou ainda mais de suas filhas, uma de 20 e outra de 15 anos. Como trabalhava e passava o dia fora, o tempo disposto para estar com elas era bem menor e corrido. Hoje em dia, Francisca, desfruta mais das companhias da filhas e sente-se mais inserida no mundo que as cerca. As atividades de casa são divididas com as filhas e não sobrecarregam ninguém. Em relação a criação das meninas, tem ajuda do seu companheiro que “ ajuda bastante em questão de educação, conversar com elas, passar tranquilidade com isso tudo de estar dentro de casa”. A relação familiar estreitou-se, de forma que todos podem se reunir à mesa para fazerem suas refeições, ou assistir um filme, tomar tereré e conversar. Acerca do trabalho, o companheiro é provedor do sustento para o lar. Sobre as perdas para a Covid-19, Francisca afirma que sua irmã contaminou-se e se recuperou, sem sequelas; perdeu amigos próximos e sobre isso ela diz que:

“Amigos são como família e quando se vai um você sofre, você sente, é uma perda irreparável…vai, você sabe que vai se ver um dia, diante do Pai, então isso abala muito o psicológico e traz tristeza. A gente fica, querendo ou não, triste com a situação, mas é um momento de…mesmo distante, mesmo longe, mesmo não podendo abraçar, mesmo não podendo “tá” perto, é o momento de se unir. Querendo ou não a Covid trouxe para gente um momento de reflexão, um momento de você sentar e você refletir o valor que tem a vida, o valor que tem a sua família, o valor que tem um amigo, o valor que tem um abraço, né(?!), a companhia, o estar perto, é isso”.

O maior desafio de Francisca é ficar longe da família. Sua mãe e seu avô são idosos e fazem parte do grupo de risco, então não se pode vistar, estar perto. Ela também fala sobre a dificuldade de ter que ficar em casa, pois possuía uma vida bem ativa, e se comunicar através das redes sociais. Sobre as novidades na maternidade, durante esse período de quarentena, Francisca diz que: 

 “A quarentena na maternidade nos trouxe mais vontade de viver, de se cuidar mais, porque você quer mais tempo com seus filhos, você quer aproveitar cada segundo, porque você descobre que a vida é tão curta e, para gente, quer dizer, para Deus, um simples vírus que veio e tomou conta do mundo, que transformou a vida de tanta gente, levou a vida de tanta gente… Então a gente quer estar perto dos filhos, quer cuidar mais, quer dar tudo o que você nunca teve oportunidade de dar. Então você tem vontade de “tá” perto e fazer tudo aquilo que você nunca fez”.

Os planos para depois da pandemia, Francisca acredita que não só ela, mas muitas outras pessoas vão querer: viver intensamente, tentar esquecer esse ano de 2020 que foi um ano pesado e difícil para todo mundo. Então, é viver como se não houvesse amanhã, viver o hoje intensamente, aproveitar cada segundo, cada momento mesmo difícil, agradecendo a Deus”

Sobre sua comunidade, Francisca acredita que haverá uma união maior e todos vão valorizar mais as pessoas e o lugar onde vivem.

 

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