No dia 20 de outubro de 2020, eu, Halanna Miranda, entrevistei a Tamires Brasil, nascida em Rio Branco, no dia 02 de junho de 1996; nossa entrevistada tem 24 anos. Possui ensino superior incompleto, se autodeclara parda, reside no bairro Nova Esperança e… é mãe solo de uma menina diagnosticada com TDAH e autismo leve. Vamos saber da Tamires como é essa experiência?

Mãe solo. TDAH. Autismo. 

Maternidade e TDAH

Fui mãe bem cedo, aos 18 anos. Desde a descoberta me vi num mundo diferente, que somente eu compreendia. Eram muitos sentimentos envolvidos e o que mais prevalecia era o medo. Medo do futuro, medo de como saber lidar, medo de não saber cuidar, medo de como educar. Hoje entendo que maternidade é essa coisa incondicional, amor e paz, aprendizagem, acompanhando de incertezas e angústia. Porém como toda mãe geralmente diz, é impossível imaginar a vida sem o filho.

Hoje Sophia tem 6 anos, diagnosticada com TDAH e autismo leve. Temos uma rotina exaustiva de terapias, médicos, exames e escola. Preciso me virar pra dar conta. Crio sozinha, o pai é bem ausente, porém tenho total apoio nessa rotina da sua avó paterna. Minha relação com ela é de total dependência, não física, mas emocional.

Convivemos bem, Sophia é muito inteligente, educada, carinhosa e amorosa.

Mudança na dinâmica familiar com a quarentena

Eu moro com minha mãe, as questões de casas dividimos. Ela com o trabalho dela e eu com o meu. Agora relacionadas a Sophia, medicamento e plano de saúde sou eu mesma, que atualmente trabalho numa clínica de estética.

Com isolamento mudou tudo por aqui. Algumas coisas boas e algumas ruins. As boas foi conviver mais com a Sophia, coisas simples como fazer refeições na mesa, enfim coisas pequenas que no dia a dia não é possível. Lado ruim é o medo, a incerteza, por conta de não estar trabalhando e por conta do vírus, por ela ser criança e não saber lidar com o novo normal. E também a ausência das terapias que impactou bastante no seu desenvolvimento. Retornou em agosto. Ela ficou em torno de 5 meses sem, apenas com medicação e atividades realizadas em casa.

Já tínhamos uma melhora desde de dezembro quando ela deu início com a psicóloga. Ela está fazendo a terapia ABA, que visa melhorar o comportamento em geral, conviver melhor em conjunto e diminuir crises sensoriais.

Ficamos esse período todo sem ouvir uma regressão nesse processo. Mas por estar muito ociosa em casa, a sua atenção voltou a ficar bem dispersa, e novamente dificuldade de se concentrar fixamente em algo.

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