Olá! Me chamo Halanna… no dia 13 setembro de 2020 entrei em contato com a Juciele Costa. A Juh nasceu em Brasiléia, município do Acre, atualmente mora em Rio Branco no bairro Bahia Velha.  Nascida no dia 04 de janeiro de 1995, ela tem 25 anos de idade, possui formação em educação física mas atualmente é servidora pública. Casada e mãe de dois filhos, se autodeclara como parda.

Gravidez não planejada. Rede de apoio. Escola. Atividades escolares na pandemia. 

Meu nome é Juciele, eu tenho 25 anos, sou natural de Rio Branco, no Acre, tenho dois filhos, um do sexo masculino e um do sexo feminino, é… atualmente eu sou casada  (miado de gato no fundo do áudio) e moro com meu esposo e os meus filhos e a minha profissão… eu sou formada em educação física, mas atualmente eu trabalho como atendente.

Juciele me fez refletir sobre quantas mulheres não têm um espaço para si, seja físico ou para estabelecer uma conexão consigo mesma, seu espaço é onde estão todos, provavelmente esses “todos” têm seus próprios espaços e tempos para si. Entre os sons presentes nos áudios, notamos seus filhos, cônjuge e até a participação especial de um felino.

Tipo assim, tem algum problema se sair algum barulho? Porque tipo assim aqui em casa não tem um lugar reservado (risos), porque esses curumins não deixa.


Como fazer para ter um espaço para si mesm@ durante o isolamento quando somos obrigados a conviver com as faltas e excessos alheios?

Bem, a minha primeira gravidez não foi planejada, eu era adolescente, tinha dezessete anos, é… foi bem complicada em questão de não ter a presença do pai, né? É…e, quem ainda me ajudou foram os meus familiares, mãe e pai, e foi bem complicado em questão de ser o primeiro filho, não ter experiência, mas eu tive muita ajuda da minha mãe, né?.

Já a minha segunda gravidez foi bem tranquila, não foi planejado, foi uma… um processo de… de um intervalo de um anticoncepcional pro outro, aí nisso a gente descobriu que tava gravido de dois meses (risos), aí já a segunda foi bem mais tranquilo, já… (…) sempre tive ajuda do meu esposo, da família dele, da minha também.

A segunda gestação [criança falando ao fundo] porque assim como a minha família ela mora, ela é de outro município [Juciele faz ‘psiu’] ela é de município, então fica mais longe pra eles virem e ter uma apoio maior da família, né? Aí sempre foi meu esposo [criança fazendo barulho como quem está brincando] e a família dele que me deu assistência e sempre teve ao meu lado na segunda gestação.

Preciso dizer que ouvir nossa importantíssima relatora falar sobre gravidez indesejada próximo aos filhos e ao cônjuge por não ter, assumidamente, um espaço de privacidade para tal me tocou. Não falo de um lugar de mãe, porque não sou uma, mas sim de uma filha, filha não desejada. Penso que um espaço para Juciele poderia ser um conforto para ela e, provavelmente, para seus filhos também. Onde está o espaço de Juciele?

A minha rotina mudou um pouco, né? Em questão de ter mais tempo pras crianças, de eles não ter… não tá indo pra escola, né? E… ter que fazer atividades, uma coisa que normalmente não vinha muita atividade de… pra fazer em casa, né? Que as crianças fazem mais na escola.

E ver as dificuldades que eles têm, tipo na escola [criança ao fundo], e… tentar acompanhar isso, né?  Aí nessa pandemia trouxe essa realidade de como eles tão se saindo na escola, de como eles estão se saindo no dia a dia, entendeu?

Notem que Juciele traz uma questão importantíssima sobre a vivência dela na pandemia: a questão escolar de seus filhos relatada como uma mudança na rotina familiar e na vivência enquanto mulher-mãe-(agora) educadora. Quantas mães tiverem que assumir mais um papel na sua pluri jornada da performance do ser mulher? Quantas mães conseguiram manter esse novo papel social que a pandemia lhes obrigou a assumir? Quantas sentiram que isso foi mais um reforçador do sentimento de culpa/insuficiência materna?

(…) o tempo que eu tenho é, normalmente, quando o neném tá dormindo e… (risos), o que eu faço de lazer é jogar vídeo game (risos), jogar vídeo game ou então assistir uma série mais ou menos de uma hora, é… esse o meu lazer, fora isso, é… o tempo é mais dedicado às crianças.

Encerro por aqui… me pergunto se Juciele conseguiu encerrar suas atividades assim como eu… se sim, deve estar jogando videogame ou vendo um ou dois episódios da sua série… Ensina a gente a jogar também, Ju!

Desejo que você que está lendo esse relato e, por ventura, se identificou de alguma forma ou identificou uma mulher próxima a você, saiba que nossa jornada enquanto mulheres não cessa da tenra infância até a maternidade, mas não estamos sozinhas!

Agradecimentos:

Meus pais que sempre me incentivaram e me ajudaram da forma que podem, e ao meu esposo que me ajuda muito e tá ali sempre do meu lado me apoiando e me dando forças nessa caminhada.

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