Eu, Robenylson de Oliveira Mota, conversei com Kerollayne Oliveira, no dia 28 de outubro de 2020, uma quarta-feira. Kerollayne cedeu a entrevista durante o período da tarde, depois de ter realizado os serviços domésticos.

Kerollayne mora no bairro Vila Acre, em Rio Branco, tem ensino superior completo, é  casada, tem uma filha e se identifica como branca. Nasceu em 15 de janeiro de 1992. Em seu depoimento, conta sobre suas experiências de maternidade durante a pandemia, além de contar como foi contrair, ela e seu esposo, a Covid-19.

Gravidez não planejada. Covid-19. Maternidade. 

No dia vinte e oito de outubro de dois mil e vinte a entrevistada inicia seu relato se apresentando: 

Meu nome é Karollayne Oliveira da Costa, tenho 28 anos de idade, sou natural de Rio Branco, sou mãe de uma menina, moro atualmente com o meu marido e minha filha e sou bacharel em direito, mas não estou atuando na área.

Quando questionada sobre a escolha e relação com a maternidade, respondeu:

Não foi uma gravidez planejada, porque estava no primeiro ano de faculdade, foi um susto, mas depois foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida, minha filha é minha vida, não imagino a minha vida sem ela.

Após isso, julgou-se importante falar sobre a estrutura da entrevista para a entrevistada: momentos pré, durante e pós pandemia. A entrevistada concorda e deu-se seguimento à entrevista.

Perguntada sobre a divisão do trabalho doméstico em seu lar, disse que tem secretária que vem 3 vezes na semana, no restante dos dias ela que faz as coisas. E, mesmo tendo secretária, a parte de preparo do alimento fica sob responsabilidade dela. Antes da pandemia, ela resolvia algumas coisas pela manhã, ia à academia e voltava para preparar o almoço e arrumar a filha para levá-la a escola.

Em seguida, relata que antes da pandemia não havia tanta preocupação com a saúde dos membros da casa, mas regrava o consumo de açúcar e refrigerante da casa, mas liberava aos finais de semana.

Ela disse que ficou sabendo da pandemia por intermédio dos jornais. A princípio imaginava que o vírus fosse ser controlado antes que chegasse ao Brasil, mas quando se deu conta, rapidamente o vírus já tinha se espalhado pelo mundo todo (enquanto falávamos o barulho da obra do vizinho tomou o áudio).

Além disso, falou que a rotina foi modificada, a família teve que parar (ficar mais tempo em casa), adotar a limpeza dos alimentos ao chegar do supermercado, usar máscara e álcool em gel. E, por conta da pandemia, a secretária teve que ficar em casa e o trabalho doméstico e o cuidado com a filha ficaram exclusivamente sob responsabilidade da entrevistada.

Sobre a convivência com os membros da casa, e os momentos de distração durante a quarentena, ela respondeu que eles estavam em 3, eles conversavam, oravam. A entrevistada tentou fazer alguns exercícios “meia boca” em casa, como a ela mesmo colocou, só para tentar passar o tempo. Além disso, ela disse que os moradores da casa ficaram bem pensativos e reflexivos sobre o momento, e se apegaram a fé na esperança de dias melhores.

A respeito dos estudos da filha, ela relatou que não houve grandes mudanças e que a filha não foi tão prejudicada. A filha continuou os estudos pela internet. A escola deu todo suporte para que as aulas pudessem continuar. A criança tem aula todos os dias das 14hs às 18hs. Os professores passam atividades complementares, que a mãe busca na escola e devolve as atividades resolvidas para que possam lançar as notas. Os professores passam trabalhos e gravam as aulas.

A entrevistada revelou que ela e seu marido pegaram coronavírus. O marido foi o primeiro a ter sintomas, porque não pode parar de trabalhar e ela, por dormir junto e conviver, acabou pegando o vírus também. Ela deduz que sua filha não pegou, por não ter desenvolvido quaisquer sintomas, além disso, ela mandou a filha para ficar com a avó enquanto eles estavam doentes.

Quando questionada se teve medo de que acontecesse o pior, ela disse que não sentiu tanto medo, porque os sintomas se manifestaram de forma mais branda nela. Quanto ao marido, ela disse que ele ficou apreensivo, porque os sintomas foram mais fortes quando ele pegou. Ele ficou com muito medo de morrer, porque a respiração ficou muito prejudicada.

Mesmo sem saber quais medicamentos ao certo tomar, ela expôs que fez uso de alguns medicamentos, foram eles: ivermectina, azitromicina e complementaram com chá de boldo e mais alguns chás que ela não soube especificar ao certo. Eles fizeram uso intercalado dos itens citados. 

Sobre a indicação dos medicamentos, ela revelou que eles viram esses medicamentos nos jornais e em pesquisas na internet. Sobre os chás, a mãe dela indicou e eles fizeram pesquisas na internet também. Apesar de ter casos em sua casa, não houve perda de nenhum parente ou amigo.

Após isso, a entrevistada disse que não houve alterações na relação com seu marido, mas que eles tiveram algumas brigas por medo que ele pegasse o vírus (tendo em vista que ele não pode deixar de trabalhar).

Inquirida sobre os planos para o futuro, Karollayne respondeu:

Tentar retomar as coisas como a gente era acostumado. Porque como diz na constituição: todo cidadão tem o direito de ir e vir e isso meio que foi tirado da gente por um vírus que não é palpável, a gente não consegue ver. É isso. Tentar começar a enxergar as coisas de outra forma, né ? E isso, querendo ou não foi uma lição pra gente. Pra gente ver que não temos o controle de absolutamente nada. A gente precisa viver um dia de cada vez, se apegar com Deus e acreditar que a tendência seja melhorar, não dá pra piorar não [risos da entrevistada].

Quando perguntada sobre o que espera da sociedade, acredita em um retorno reflexivo após a pandemia, ao mesmo tempo se preocupa com outras questões:

Eu espero que as pessoas tenham tirado uma lição de tudo isso, tenham se espiritualizado mais. Entendido que o rico e o pobre numa situação dessa não faz a mínima diferença. Com relação a isso eu espero que melhore. Com relação a economia, a tudo que está acontecendo, as coisas cada dia mais caras… É notório que já tem uma piora, e isso me preocupa bastante, com relação às pessoas de baixa renda, porque a maioria delas estão em casa, não com um ou dois filhos, mas tem quatro, cinco, sete e está tudo muito caro: arroz, carne, feijão, o básico, então isso tem me preocupado. Todas as vezes que vou ao supermercado eu vejo e é isso que eu imagino: como deve ser pra uma pessoa, que às vezes tem só um provedor na casa e ele tem que alimentar a família inteira? Com relação a isso tenho me preocupado. Com relação a espiritualidade, eu espero que as pessoas tenham tirado uma lição de tudo isso.

Acompanhe a entrevista completa aqui:

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