Eu, Keyth Melo, entrevistei Adriana Quintanna, em 8 de outubro de 2020. Adriana, parda, nasceu em Barbosa Ferraz, no Paraná, em  13 de abril de 1991, e mudou-se para o Acre ainda bem nova. Possui o nível superior completo, é  professora, casada e tem  2 filhos e mora com a família no bairro Bahia Velha.

Maternidade. Puerpério. Sentimentos. Dúvidas. 

Adriana Quintanna é mãe de dois filhos, um de 12 anos e uma menina de 1 mês e uns dias. Grávida do segundo filho logo que decretou-se a quarentena, diz que o período foi permeado pelo sentimento de “culpa e dúvida”.

Com um filho de doze anos super ativo, viu-se sem meios para entretê-lo em casa com atividades que fossem do agrado dele. Adriana não queria que o filho ficasse no celular e aponta a falta de atividades como um ponto negativo. Ao mesmo tempo, vivia um outro momento da maternidade, como havia mencionado, Adriana estava grávida do seu segundo filho no início da quarentena; havia muita expectativa da família e dos amigos para gestação de uma menina – descobriram o gênero do bebê uma semana antes do decreto do governo – porém, veio o sentimento de tristeza, pois não podiam viver tudo isso.

Devido à uma reportagem que viu, de uma mãe que foi separada do recém-nascido por ter contraído a Covid-19, Adriana encontrou os sentimentos de medo e desespero ao colocar-se no lugar daquela mãe. Com nascimento de sua filha, os sentimentos eram confusos, haja vista a alegria de ter sua filha em seus braços e a vontade de compartilhar aquela alegria com a família e amigos.

Diante disso, o medo toma conta de tudo, pois aconteceram visitas à recém-nascida, e todos os cuidados foram redobrados.

Durante a pandemia, alega ter tido o apoio emocional por parte do esposo, muito mais na pandemia. Ressalta que teve picos de ansiedade, mas tudo era remediado com o estreitamento dos laços entre família. Com o esposo músico formado, houve a chamada “musicoterapia” dentro da casa. Além disso, as conversas e apoio do esposo e do filho, que foi “um verdadeiro lord”, durante a gravidez e esse momento ainda vivido, foram fundamentais para que se sentisse amparada emocional e psicologicamente.

Quanto aos afazeres do lar, Adriana afirma que as tarefas foram e são dividas entre ela, o esposo e o filho. Ela tem noção que é privilegiada por poder compartilhar das tarefas domésticas com os de casa, e assume um sentimento de culpa por, segundo ela, “não cumprir a atividade doméstica”, mesmo sendo “dissuadida” disso pelo esposo.

Acerca do trabalho, não realizou o home office, pois as atividades do ensino infantil haviam sido suspensas e quando retornaram, ela já estava em licença maternidade. O esposo ficou à disposição, haja vista seu setor de trabalho ter parado. Nas poucas vezes que ele ia ao local de trabalho era uma preocupação ao ponto dele não tocar em nada e nem em ninguém quando chegasse em casa. Ia direto para o banho.

As atividades escolares do filho mais velho foram bem dificultosas, foi um momento aprendizado. Eram cansativas, não buscavam redirecionar para outros conteúdos, visto que as atividades eram para cumprir o currículo. Sendo cansativo, Adriana afirma que chegava a liberar o filho de uma aula ou outra, visando o mesmo não perdesse o interesse total pela “escola”. Com o passar do tempo, tudo se alinhou, mas “o foco da escola ainda cumprir o currículo”, ou seja, não há novidades nem no ensino remoto.

Sobre o futuro, Adriana afirma que é difícil pensar sobre o futuro, pois quando começa-se a fazer planos, tudo se interrompe pelas novidades da pandemia. Ou seja, não há perspectivas, não se pode enxergar tão longe. Contudo, não significa que ela tenha esperança que tudo volte ao antigo normal.

O que a pandemia lhe trouxe de aprendizado foi o cuidado focado na higiene pessoal, “cuidados que a gente deveria ter com os alimentos, com a nossa mão, com a nossa família”, por mais que não existisse esse vírus, existem tantos outros. E um outro é que todos podem se adaptar a qualquer situação, por mais difícil que sejam. E sobre estar com família, como é importante o contato, o afeto, o estar na presente fisicamente na vida do outro.

Para Adriana, “a gente não sabe viver sem isso [sem contato, sem afeto…]”.

Acompanhe a entrevista completa aqui:

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