Eu, Aline Paiva, conversei com Nattércia no dia 29 de outubro de 2020, uma quinta-feira. Nattércia trocou áudios comigo durante a tarde, enquanto dava expediente em home office como jornalista. Ela mora no bairro de Alto Alegre, em Rio Branco; tem ensino superior completo, é casada e se identifica como parda. Nasceu em 13 de junho de 1985.

Em seu relato, Nattércia, que contraiu a Covid-19, conta das dificuldades da pandemia, mas também do sentimento de maior aproximação com a família em tempos de confinamento.

Maternidade na pandemia; Home-office; Contraiu Covid-19

Engravidei aos 31 anos. Já vinha tentando há dois anos e usei um remédio de ovulação para conseguir. Foi um momento bem feliz.

Minha filha é uma criança de creche. Passou a ir pra creche a partir dos seis meses, em tempo integral, então só tive muito tempo com ela na época da licença maternidade. Depois passava o dia trabalhando e só a via às 18h. Esse ano ela foi para escola, também integral e a rotina continuava a mesma.

Com a pandemia, esse foi o maior impacto que senti. Ficar em casa em tempo integral com ela. Foi como se eu estivesse vivendo a licença maternidade novamente, mas com uma criança de quatro anos, com demandas diferentes.

Eu fiquei em home office, mas meu esposo trabalhava duas vezes por semana.

As tarefas domésticas e com a criança são bem divididas. Acho até que ele faz mais que eu, porque não tenho tanto apego a uma casa limpa, já o companheiro é mais ligado nisso.

Em compensação, a criança fortaleceu o laço comigo. Quer ficar comigo o tempo inteiro. Não gosta quando pai chega do trabalho.

Suas primeiras impressões com as notícias sobre a Covid-19 e sua chegada ao Brasil foram:

Primeiro, “não deve ser algo tão grande”. Depois, “vai todo mundo morrer, as pessoas estão sem trabalho e não posso ajudar”.

Com relação aos cuidados com a saúde da família antes da pandemia:

Apenas com a criança, sempre houve uso de álcool em gel com ela porque pegava muito nas coisas e não faltava na bolsa.

Sobre o isolamento social e as medidas de confinamento:

Difícil, porque tínhamos uma rotina de passeios e a criança ficava entediada, não entendia porque não podia sair, não podia ver os avós. Os primeiros meses foram bem difíceis.

Como servidores públicos, os rendimentos se mantiveram estáveis. Podemos dizer até que economizamos em algumas áreas, como combustível e revertemos em outros benefícios para a casa.

Se teve contato com o vírus ou algum familiar que se infectou ou faleceu:

Pegamos eu e meu esposo. Marina [filha] não sentiu nada, mas deve ter tido contato com o vírus. Tivemos sintomas leves e mantivemos a calma, então os sintomas psicológicos foram mais controlados. Minha sogra faleceu de Covid. Foi algo muito rápido. Questão de 20 dias. Ela começou com uma tontura e foi ao hospital particular, pois não tinha plano de saúde. A partir dali foram várias idas a especialistas: cardiologistas, nefrologista, mas ninguém descobria e ela foi piorando. Foi a vários hospitais públicos, mas não conseguia internação e na UPA o teste havia dado negativo. Quando piorou mesmo, levaram ao INTO e de lá ela não saiu. Ela só ficava em casa, mas na casa morava o irmão do Ralph [esposo] com a família de crianças pequenas que brincavam na rua.

Se a pandemia trouxe algum tipo de aprendizado:

Acho que valorizar mais a presença das pessoas e o momento presente, porque agora sabemos que não conseguimos fazer planos pra nada.

Planos para o futuro:

Em longo prazo, não. Tenho tentado valorizar cada vez mais o agora.

Como acredita que será a sociedade após a pandemia:

Talvez com mais cuidados.

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