A entrevista que eu, Keyth Melo, fiz com Maísa teve início em 19 de outubro. Maísa Melo, parda, é casada, tem uma filha de 3 anos e é moradora do bairro Santa Inês, no segundo distrito da capital. Natural de Ji-Paraná, nascida em 14 de julho de 1995, possui nível superior completo e atualmente encontra-se desempregada.

Desemprego. Grupo de risco. Trabalho doméstico. 

Maísa é sucinta em suas palavras quando indagada sobre o exercício da maternidade em meio a uma pandemia:

Novo e desafiador, exige mais do que o normal causando certo estresse, porém é bom poder participar de uma forma maior no desenvolvimento da criança.

Quando perguntada se tem ajuda com os afazeres domésticos e cuidados com a filha, responde somente: “Sim e sim”.

A pandemia trouxe benefícios e malefícios para todos e com Maísa não  foi diferente. Ela auxiliava nas finanças da casa, mas foi demitida no final de setembro e seu esposo ficou como principal mantenedor do lar.

Doutra sorte, Maísa considera que “a pandemia não trouxe somente coisas ruins… poder estar em casa é ótimo”. Agora ela tem mais tempo para a filha de 3 anos e, como seu esposo trabalha em horários alternados, pode ficar mais tempo com ele também. Nesse sentido a relação familiar melhorou muito, bem como seu psicológico.

Maísa faz parte do grupo de risco, já que foi diagnosticada com Miocardiopatia hipertrófica. Mesmo assim, ela precisava sair para o trabalho, quando solicitado, portanto, havia aumento nas preocupações e cuidados, o que deixava seu psicológico sobrecarregado.

Acerca dos desafios impostos pela pandemia/quarentena, afirma que manter a rotina está sendo o mais difícil. Pontua que a oportunidade de ser mãe em tempo integral foi um de seus benefícios.

Sobre os planos para o futuro, Maísa diz que pretende “mudar de profissão”, buscar novas oportunidades profissionais; que a pandemia lhe ensinou a aproveitar melhor o tempo com as pessoas e a tê-lo em qualidade.

Ao imaginar a vida de sua comunidade daqui para frente, diz acreditar que “tudo voltará ao normal”, com um pouco mais de cuidados,  porém, Maísa acredita também que não haverá grandes mudanças. Bom, é o que veremos.

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